
Ele estava lá. Não esperava vê-lo, nem estava na minha lembrança. Mas ele estava lá. Parei o caminho e perguntei: "eu te conheço, não é?"... sim, demorou um pouco pra eu reconhecer.
A gente fica tão tonta, que chega a dar vergonha. Aliás, deve ser por isso que poucos gostam de admitir que estão apaixonados.
Quando ele estava por vir, era um desespero. As horas não passavam, não havia uma única roupa certa, mas pra ele, tanto faz tanto fez. Sepre pensei que pra sair com homem nunca pode usar nada muito difícil de tirar. Exceto quando o homem é aquele amigo mala que não percebeu que prá você, ele nem sequer tem pinto, tanto é um amigo que vira um ser assexuado.
Mas...apaixonada...nem muito fácil de tirar, nem muito difícil. Sem mostrar muito. Mas também, não totalmente coberta, como uma testemunha de jeová. Aí, pronto. Ele estava aqui, comigo. entre aqueles abraços "de urso" que só ele sabe dar, os beijos, carinhos...eu mentalmente selecionando a conversa. E quando achava algo que parecia ser legal de conversarmos...ele não parecia estar me ouvindo. Quer dizer...estava, mas ao mesmo tempo, estava me penetrando com os olhos. As poucas vezes que criei coragem de perguntar por que estava me encarando tanto, ele me dizia: "você é muito linda, sabia?". E quando eu deitava no colo dele, naqueles momentos em que a minha timidez acabava (raras eram as vezes!) e ele me dizia: "você é mesmo um bichinho do mato, né? quando quer é cheia de manha..." e ele nem imagina, mas era só dizer isso, que eu virava bicho do mato mesmo. A timidez despertava de volta e eu não sabia pra onde ir, pra onde olhar nem o que fazer. Malditos hormônios que se desmanchavam que nem chocolate na mão dele.
Aí, ele se foi. Assim. Simplesmente não quis mais. Não acreditei muito ainda não acredito, pra ser sincera. Se tem um tema que eu sou expert é em enceramentos. O suficiente pra saber que tá faltando muito nome aos bois.
Já tinha passado. Já tinha esquecido. Já tinha voltado á minha boa vida de solteira, já tinha me acostumado a encarar a pessoa dele como um amigo. Como qualquer outro amigo. Só um casinho, um affair que passou. E ele também encarava assim, ou eu estava bêbada demais pra perceber alguma coisa a mais.
Só que aí, vi ele de novo. Sabia que ia encontrá-lo naquele lugar, e não contava com muito mais que um bate-papo de amigo...como havia sido até então. De repente, quando lhe contava uma das minhas aventuras no emprego insólito que tenho, ele me penetrava com aquele olhar maldito de novo. Ele me abraçou forte, e me levantou do chão. E eu, por minha vez, fiquei, num primeiro momento, trêmula, e completamente sem-chão. Feliz. Esperançosa. Depois, puta. Estava sendo manipulada. Ele iria fazer tudo de novo, ele iria mais uma vez, me conquistar, amolecer, seduzir, e depois, desaparecer. E voltar, e desaparecer de novo. E me lembrei, que eu havia, há pouco tempo, morrido e renascido das minhas próprias cinzas depois de um sofrido casamento e separação com um cara que fazia as mesmas coisas. Tá, um pouco pior, talvez pelo privilégio de casamento, de eu não ter onde ir. Mas eu estou disposta a dar essa segurança toda a alguém de novo?
Voltei a ser moleca, ouvindo "Poison" (Alice Cooper) por que eu não tem música que eu cantaria mais alto pra ele do que essa..."your cruel device, your blood like ice, one look could kill, my ain, your trhill...I wanna love you but I better not touch you, I wanna hold you but my senses tell me to stop, I wanted kiss you, but I wanted too much, I wanna taste you but your lips are venomous poison..."
Só queria que eles aprendessem uma lição importantíssima que vi numa plaquinha sábia numa barraca de frutas na feira: SE NÃO VAI ME COMER, NÃO ME AMASSE!

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